Com a chegada da primavera, período marcado pelo florescimento das plantas, aumenta significativamente a incidência de conjuntivites alérgicas. O pólen liberado pelas flores, somado à poeira característica do tempo seco, forma uma combinação perigosa que irrita os olhos, especialmente das crianças. “Elas são as mais vulneráveis nessa época do ano, pois seu sistema imunológico ainda está em desenvolvimento, o que as torna mais suscetíveis”, explica o oftalmologista da Hapvida, Eduardo Nery.
O problema se agrava porque os pequeninos tendem a passar mais tempo ao ar livre, em contato direto com alérgenos como pólen, poeira e grama. “Além disso, costumam coçar os olhos com frequência, sem ter noção dos riscos. Esse hábito pode piorar a irritação e até levar a complicações como infecções e, em casos extremos, ceratocone”, alerta o médico. O histórico familiar também influencia: se os pais têm alergias, os filhos têm maior predisposição a desenvolvê-las.
Apesar de as crianças serem as mais afetadas, a conjuntivite alérgica pode ocorrer em qualquer idade. Adolescentes e adultos também sofrem com os sintomas, que incluem coceira intensa, vermelhidão e inchaço. “A diferença é que, geralmente, os adultos têm mais consciência para evitar coçar os olhos”, comenta Nery.
Para proteger os olhos nessa época do ano, o especialista recomenda evitar locais com muita vegetação em dias ventosos, manter janelas fechadas nos horários de maior concentração de pólen e usar óculos como barreira física. “No caso das crianças, os pais devem ficar atentos e ensiná-las a lavar as mãos e o rosto com frequência, além de evitar esfregar os olhos”, orienta.
Quando os sintomas aparecem, a busca por um oftalmologista é essencial. “Colírios antialérgicos podem ser necessários, mas devem sempre ser prescritos por um médico. A automedicação pode mascarar problemas ou até agravá-los”, reforça Nery. Com os cuidados adequados, é possível curtir a estação das flores sem sofrer com os incômodos da conjuntivite alérgica, independentemente da idade.
Cuidados e complicações
Entre os cuidados recomendados, o médico oftalmologista da Hapvida, Eduardo Nery, destaca a higiene ocular, a lavagem frequente das mãos e, principalmente, evitar o contato direto com os olhos. O uso de colírios antialérgicos sob prescrição médica é uma das formas mais eficazes de aliviar os sintomas, além da aplicação de compressas frias, que ajudam a reduzir o inchaço e a coceira.
Outro ponto importante é a prevenção, que inclui medidas como manter os ambientes limpos, livres de poeira e ácaros, utilizar umidificadores para melhorar a qualidade do ar e evitar exposição a alérgenos conhecidos. Em locais com alta concentração de poluentes, o uso de máscaras pode ser um aliado.
Apesar de ser considerada uma condição benigna, a conjuntivite alérgica pode evoluir para complicações mais graves quando mal cuidada. “A coceira constante nos olhos pode causar microlesões na córnea, aumentando o risco de infecções secundárias”, explica Eduardo. Entre os problemas associados estão a blefarite (inflamação nas pálpebras), distúrbios visuais temporários e, em casos mais graves, o desenvolvimento de ceratocone — uma condição que afina e deforma a córnea, comprometendo a visão.
O ceratocone é particularmente preocupante porque pode ser desencadeado justamente pelo ato repetitivo de coçar os olhos, algo muito comum em pessoas com conjuntivite alérgica. O estresse mecânico provocado por esse hábito agride a estrutura da córnea, podendo levar a danos permanentes se não for identificado e tratado a tempo.
Eduardo Nery reforça que o diagnóstico precoce e o acompanhamento oftalmológico são fundamentais para evitar que uma condição aparentemente simples se transforme em um problema maior. “Tratar a conjuntivite alérgica não é apenas uma questão de aliviar o incômodo imediato, mas de prevenir consequências mais sérias”, conclui o especialista.





