Tem jogo que a gente assiste. E tem jogo que a gente sente. O Re-Pa número 776, disputado no Mangueirão pela 7ª rodada do Parazão 2025, foi daqueles que fazem lembrar por que o futebol ainda é a maior paixão do brasileiro.
Estádio dividido ao meio, mosaico de um lado, bandeirão do outro, e um barulho que não deixou ninguém ouvir nem o hino. O clássico mais disputado do mundo entregou tudo o que prometia: tensão, polêmica, goleiro em noite de gala, herói que saiu do banco e um empate arrancado no último lance.
Um primeiro tempo de nervos
Líder contra vice-líder, os dois com força máxima. O Remo começou melhor, com o garoto Cadu, de apenas 18 anos, infernizando pela direita. O Paysandu equilibrou na base dos cruzamentos do PK e quase abriu o placar com Nicolas, de cabeça.
O jogo, porém, foi mais transpiração que inspiração. Teve confusão entre os reservas na beira do gramado, partida parada por quase cinco minutos e cartão amarelo para Nicolas e Leandro Vilela. No intervalo, 0 a 0.
Marcelo Rangel segurou o Remo
O segundo tempo foi outro jogo: aberto, com chances dos dois lados. E aí apareceu o grande nome da tarde. Marcelo Rangel fez pelo menos quatro defesas difíceis, uma delas à queima-roupa, e segurou o Remo enquanto o Paysandu era melhor.
A virada de chave veio do banco. Rodrigo Santana colocou Adaílton, e o veterano de 34 anos, que passou anos no futebol japonês, mudou a cara do time. Chamou a torcida, levou perigo, e o Remo cresceu. Sávio ainda acertou a trave numa cobrança de escanteio.
Aos 33 minutos, Jaderson achou Felipe Vizeu, o goleiro Matheus Nogueira saiu desesperado e derrubou o atacante. Pênalti. Adaílton bateu rasteiro, seco, no canto. Remo 1 a 0, e metade do Mangueirão já cantava o fim do tabu.
O tabu resistiu
Só que clássico só acaba quando o juiz apita. Com o Remo recuado para segurar o resultado, Giovanni, que também saiu do banco, recebeu na entrada da área e soltou o pé. A bola desviou em Rafael Castro e enganou Rangel. Logo depois, o apito final.
1 a 1. Gosto de vitória para o Paysandu, gosto de derrota para o Remo, que segue sem vencer o rival desde março de 2023, agora são nove jogos.
O que fica
Fica a certeza de que o futebol do Norte merece mais vitrine. Duas torcidas gigantes, dois clubes organizados e um clássico que não deve nada a Gre-Nal, Atlético x Cruzeiro ou Corinthians x Palmeiras. Quem estava no Mangueirão naquela tarde viu futebol de verdade.
Ficha técnica
Remo 1 x 1 Paysandu
Parazão 2025, 7ª rodada · 23/02/2025 · Mangueirão (Belém)
Gols: Adaílton (pênalti), aos 33′ do 2º tempo; Giovanni, nos acréscimos do 2º tempo
Árbitro: Paulo César Zanovelli
Técnicos: Rodrigo Santana (Remo) e Luizinho Lopes (Paysandu)
Destaques: Marcelo Rangel e Giovanni
Matheus Carvalho é comentarista e colunista do Portal Feras do Esporte.






