Estudo revela que celular antes dos 13 anos pode afetar saúde mental

Os efeitos são mais evidentes entre meninas
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O acesso precoce ao smartphone está fortemente ligado a piores indicadores de saúde mental na vida adulta. Entregar um celular para uma criança pode parecer algo inofensivo. Mas um estudo internacional faz um alerta, que o uso pode ser tornar um grande risco.

Conforme pesquisa, revisada por pares e publicada em 20 de julho na revista Journal of Human Development and Capabilities, analisou dados de quase 2 milhões de pessoas em 163 países. Entre os jovens adultos que ganharam o primeiro celular aos 5 anos, os sinais de sofrimento mental grave, como pensamentos suicidas, desregulação emocional e baixa autoestima, são quase o dobro dos que só tiveram acesso ao aparelho após os 13 anos.

Os efeitos são mais evidentes entre meninas: quase metade (48%) das jovens que tiveram celular aos 5 ou 6 anos relatou pensamentos suicidas, contra 28% entre aquelas que só começaram a usar o aparelho após os 13 anos.

Segundo os autores, o estudo não consegue comprovar uma relação direta de causa e efeito, mas os dados apontam uma associação clara entre o uso precoce de celulares e maior sofrimento psíquico na juventude. O questionário usado, chamado MHQ (Mind Health Quotient), mede tanto sintomas negativos quanto capacidades mentais positivas, resultando em um escore que varia de -100 (sofrimento intenso) a +200 (bem-estar pleno).

A diferença nas pontuações de saúde mental entre quem teve celular cedo e quem recebeu o aparelho mais tarde foi considerada significativa, especialmente em relação a pensamentos suicidas, desregulação emocional e autopercepção negativa.

Redes sociais como principal gatilho

estudo mapeou os fatores que mais contribuem para esse impacto. O uso precoce de redes sociais é apontado como o principal elemento, responsável por até 70% da associação negativa nos países de língua inglesa.

Outros fatores relacionados, como cyberbullying, distúrbios do sono e conflitos familiares, também foram identificados como agravantes. Os pesquisadores destacam que as redes amplificam esses problemas e tornam crianças e pré-adolescentes mais vulneráveis emocionalmente.

A partir dos resultados, os autores defendem que o acesso a smartphones e redes sociais por crianças deve ser tratado como questão de saúde pública, e não apenas como decisão individual das famílias.

Entre as propostas sugeridas pelos pesquisadores estão:

  • Proibir o uso de redes sociais por menores de 13 anos, com mecanismos de verificação e fiscalização;
  • Educação obrigatória em saúde mental e letramento digital nas escolas, antes do uso autônomo das redes;
  • Responsabilizar empresas de tecnologia que descumprirem restrições etárias;
  • Criar aparelhos infantis com funções limitadas, como alternativa aos smartphones convencionais.

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