O Vila Nova recebeu oficialmente na manhã de quarta-feira (27), em reunião do Conselho Deliberativo, a proposta para criação de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O documento prevê a venda de 90% do capital da nova empresa em troca de aportes que superam os R$ 500 milhões ao longo de até 12 anos. Os recursos contemplariam a quitação integral das dívidas, estimadas em cerca de R$ 150 milhões, além de investimentos diretos no futebol e na modernização do Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA).
A proposta foi apresentada por um fundo de investimentos estruturado pela REAG, em parceria com a Rafatella Investimentos, holding do empresário e conselheiro do clube Lélio Vieira Carneiro Jr. Segundo ele, a Rafatella é uma das investidoras do consórcio e o plano inclui transformar o OBA em uma arena moderna, sem que o patrimônio social do clube seja vendido — o espaço permaneceria como ativo da associação e seria cedido para exploração da SAF.
No entanto, o cenário mudou rapidamente. Na quinta-feira (28), apenas um dia após a entrega da proposta, a REAG foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal e Receita Federal, dentro da Operação Carbono Oculto, que investiga irregularidades financeiras. As ações da companhia (REAG3) despencaram na Bolsa, e a própria empresa divulgou comunicado dizendo colaborar com as autoridades.
Diante do episódio, a diretoria colorada exigiu a imediata substituição da REAG como gestora do fundo para que as conversas pudessem continuar. O investidor principal sinalizou positivamente para a troca, mas dirigentes admitem que, enquanto o arranjo não for reorganizado, as negociações ficam suspensas. Em paralelo, o clube também mantém diálogo com um grupo argentino, que já havia demonstrado interesse em adquirir parte da SAF.
Agora, caberá ao Conselho Deliberativo do Vila Nova avaliar com cautela os termos da proposta, o impacto da operação contra a REAG e os próximos passos na condução desse processo, que pode mudar a história do clube goiano.







