Fabrício Rosa denuncia uso da PM-GO para fazer campanha ilegal a favor de Caiado

Além do pedido feito à SSP-GO, o vereador também vai protocolar denúncia do caso junto ao Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público de Goiás (MP-GO) e ao Ministério Público Eleitoral (MPE-GO)
Foto: Letícia Coqueiro/A Redação

“As polícias não podem ser utilizadas para fazer campanha”

Vereador denunciou à Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-GO) entrevista concedida pelo comandante-geral da corporação, coronel Marcelo Granja, fardado, na qual fez considerações político-partidárias sobre a pré-candidatura do governador

O vereador Fabrício Rosa (PT) denunciou ao secretário de Estado da Segurança Pública (SSP-GO), coronel Renato Brum dos Santos, o uso da farda da Polícia Militar do Estado de Goiás (PM-GO) e as declarações de cunho político eleitoral sobre a pré-candidatura a presidente do governador Ronaldo Caiado (UB) feitas pelo comandante-geral da PM-GO, coronel Marcelo Granja.

Além do pedido feito à SSP-GO, o vereador também vai protocolar denúncia do caso junto ao Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público de Goiás (MP-GO) e ao Ministério Público Eleitoral (MPE-GO).

Entenda o caso
Em entrevista publicada pelo Jornal Opção nas redes sociais, na versão impressa e no site do veículo de comunicação neste final de semana, o comandante-geral da Polícia Militar declarou: “O governador Ronaldo Caiado, ele sendo presidente do Brasil, quem ganha é a nação, quem ganha é a segurança pública de todo o Brasil”.

Fabrício Rosa destaca que o conteúdo da entrevista, amplamente divulgado pela imprensa local por meio escrito e em vídeos, configura ofensa aos artigos 40 e 73 da Lei das Eleições (Lei Federal nº 9.504/1997), que proíbem agentes públicos de usar símbolos e bens oficiais em benefício de qualquer candidato.

No caso específico da entrevista concedida ao Jornal Opção, o coronel Marcelo Granja fala como comandante-geral da PM-GO, fardado, e faz considerações político-partidárias sobre uma eventual vitória eleitoral do governador Ronaldo Caiado nas eleições presidenciais de 2026, o que configura ofensa aos artigos 27, inciso XVIII, e 72, parágrafo 1º, do Estatuto dos Policiais Militares do Estado de Goiás (Lei Estadual nº 8.033/1975), que vedam aos militares da ativa manifestações de caráter político-partidário.

Além disso, veda também, inclusive aos militares da reserva e reformados, o uso de designações hierárquicas da corporação para fins político-partidários. Com base na denúncia apresentada ao secretário de Estado da Segurança Pública de Goiás, o vereador Fabrício Rosa requer que seja instaurado procedimento investigatório contra o comandante-geral da PM-GO para que sejam apuradas as condutas vedadas, com a eventual responsabilização pertinente.

“As polícias não podem ser utilizadas para fazer campanha”
“O comandante-geral e a Polícia Militar do Estado de Goiás têm sido instrumentalizados pelo governador Ronaldo Caiado para fazer campanha. De quem é a Polícia Militar? De quem é a Polícia Rodoviária Federal? De quem é a Polícia Federal? De quem é a Guarda Municipal? As polícias são do povo. As polícias não são do Caiado, do Marconi, do PT. São do povo. Elas não podem ser utilizadas para campanha”, declarou o vereador em discurso no plenário da Câmara Municipal nesta terça-feira (18/11).

Fabrício Rosa propôs uma reflexão sobre a gravidade do caso: “Imaginem o comandante do Exército fardado, com símbolos do Exército, com insígnias do Exército, com armas do Exército, pagos com dinheiro público, vindo a público fazer campanha para o presidente Lula!”.

O vereador destacou que a conduta é “um absurdo”. “Isso é desonesto, é antiético. As Forças Armadas e as polícias são de todos e todas. Por isso, são proibidas de serem utilizadas para campanha política. O que o governador faz é diminuir o tamanho das forças, é diminuir a responsabilidade, a ética, a impessoalidade, a moralidade das forças”, pontuou Fabrício Rosa.

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