Nasci e cresci em Goiânia, a vida me levou para Aparecida ainda na adolescência e desde então, carrego um amor dividido entre as duas maiores cidades de Goiás. Goiânia me deu raízes, Aparecida me deu histórias. Ambas moldaram quem sou.
Mas hoje, esse amor vive em conflito. As duas cidades parecem atravessar um tempo de caos, especialmente na saúde e na educação. A gente vê postos de saúde lotados, escolas sem estrutura, promessas que se perdem entre discursos e faixas inaugurais.
Claro, sempre há quem diga que está tudo bem.
E eu entendo. É fácil não enxergar o problema quando se tem um bom emprego, muitas vezes dentro das próprias prefeituras, quando se pode pagar um plano de saúde e morar em bairros onde o barulho mais alto é o canto dos passarinhos.
Mas há uma outra cidade dentro dessas cidades. A do povo que depende do SUS, que pega ônibus lotado, que luta por vaga na creche e espera meses por um exame. É essa parte invisível que me dói.
E o motivo desse desabafo é simples: lembrar que os dois administradores dessas cidades não chegaram lá sozinhos. Foram escolhidos, apadrinhados politicamente por um senhor de cabelos brancos, que agora sonha com a cadeira mais alta do país.
Talvez esteja na hora de lembrar que o voto tem consequência e que quem não sente o caos, um dia pode ser engolido por ele.
Crônica Helma Bessa







