Houve um tempo em que o grito de gol era quase um ritual. As arquibancadas tremiam, o rádio ecoava de emoção e o coração batia no mesmo ritmo da bola rolando. Era simples: o jogador entrava em campo com fome de vitória, com brilho nos olhos e a alma entregue ao time.
Hoje, o futebol parece outro. O gol, que já foi o ápice da paixão, virou um detalhe. Os dribles são ensaiados para as câmeras, as comemorações são coreografadas para as redes sociais e o espelho do vestiário virou mais importante que o placar.
O estrelismo, essa doença moderna, tomou conta dos gramados. O jogador esqueceu o essencial: que a sua missão é fazer gol, decidir partidas, salvar o time quando tudo parece perdido. Agora, ele entra em campo preocupado com o melhor ângulo para exibir a nova tatuagem ou o corte de cabelo da semana.
É irônico, eu sei. Mas é real.
O futebol perdeu o gosto pelo gol, e com ele, perdemos um pouco do encanto de torcer. A emoção ficou presa no passado, junto com as vozes roucas que gritavam por amor, e não por curtidas.
Ah, que saudade dos dribles do Pelé, das defesas do Taffarel, da raça de Dunga, dos gols do Ronaldo Fenômeno, da magia de Ronaldinho Gaúcho.
O futebol não pode morrer no país do futebol.







