Governo Lula demite ‘infiéis’ e mira Caixa após derrota com MP do IOF

O olhar sobre a Caixa Econômica não é à toa
Reprodução/ Agencia Brasil

Em resposta à derrubada da medida provisória (MP) alternativa ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na semana passada, o governo Luiz Inácio Lula da Silva deu início a um movimento para demitir dos cargos, na estrutura federal, aqueles apadrinhados políticos ligados a parlamentares infiéis. Como parte dessa ofensiva, um dos órgãos que deve e entrar na mira do Palácio do Planalto é a Caixa Econômica Federal, conhecida por ter sido loteada entre partidos do Centrão no início do mandato

Responsável por essa operação, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, reuniu-se na tarde de segunda-feira (13) justamente com o presidente da Caixa, Carlos Vieira, para discutir a situação dos cargos na estrutura do banco. A reunião aconteceu no Palácio do Planalto e foi confirmada ao Valor por fontes próximas ao governo.

De acordo com interlocutores, Vieira teria levado para a reunião planilhas com toda a estrutura de comissionados da entidade. A partir desse mapeamento, o governo deve desligar os nomeados que estão conectados a deputados considerados “traidores”.

O olhar sobre a Caixa Econômica não é à toa. Quase todas as 12 vice-presidências do banco foram distribuídas para partidos de centro, como forma de angariar apoio político no Congresso Nacional. De acordo com fontes do Valor, atualmente esses cargos estariam majoritariamente sob o controle de partidos como PP e Republicanos, que vêm se distanciando da gestão petista há algum tempo.

A única vice-presidência que continua dentro da alçada de Lula é a de Habitação, cuja titular é a socióloga Inês Magalhães, nome ligado ao PT. O motivo é que o cargo dela é responsável pelo gerenciamento do programa Minha Casa, Minha Vida, uma das principais bandeiras petistas.

té mesmo o presidente da Caixa chegou ao governo pelas mãos do Centrão. Isso porque Carlos Vieira foi indicado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL), quando este ainda estava à frente da direção da Câmara.

Na segunda-feira, Gleisi também reconheceu em entrevista que o governo está “arrumando” sua base, mas rejeitou que as mudanças sejam uma espécie de “retaliação” à derrota sofrida na semana passada.

“As indicações para ocupar cargos vão ser retiradas e nós vamos alocar essas indicações para aqueles que estão com o governo Se quiserem continuar nos cargos, eles [partidos] têm que reavaliar a postura. Estamos, sim, afastando aqueles cargos de indicados [do Congresso], mas isso não quer dizer que acabou o diálogo. Agora tem que votar com o governo.não é justo continuar nesses cargos”, argumentou a ministra, em entrevista ao SBT News.

Segundo ela, o “mapeamento” ainda não acabou e deve durar até o fim desta semana. “Vamos aproveitar isso para arrumar a base aliada do governo. Estamos passando um olhar por todos os órgãos. Ainda não terminamos esse mapeamento, já foram alguns [demitidos]. Temgente nos procurando para conversar e nós vamos conversar de forma direta”, explicou antes de recorrer uma analogia familiar. “Você tem uma pessoa que vive na sua casa, come da sua comida, mas não é leal a você, qual tem de ser a reação?”, questionou.

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